VACINA BRASILEIRA CONTRA A NICOTINA AVANÇA EM PESQUISAS PARA AJUDAR FUMANTES A EVITAR RECAÍDAS
Uma pesquisa desenvolvida no interior de São Paulo busca criar uma nova alternativa para ajudar pessoas que desejam abandonar o cigarro. Pesquisadores do laboratório brasileiro Cristália, em Itapira (SP), estão trabalhando no desenvolvimento de uma vacina capaz de estimular o organismo a combater a ação da nicotina. O projeto ainda está em fase inicial e, até o momento, os estudos foram realizados exclusivamente em animais. O Cristália é o mesmo laboratório responsável pela produção da polilaminina, desenvolvida pela pesquisadora Tatiana Sampaio. A ideia da vacina surgiu a partir do objetivo de impedir que a nicotina alcance o cérebro em quantidade suficiente para desencadear os mecanismos relacionados à dependência. Segundo Ogari Pacheco, fundador do Cristália e responsável pela concepção do projeto, a tecnologia pretende interromper esse processo. Os primeiros resultados da pesquisa foram apresentados pelo laboratório na quinta-feira (27), em Jaguariúna (SP). Os trabalhos tiveram início em maio de 2024 e atualmente estão na etapa chamada de “Early Discovery”, período em que os pesquisadores analisam os protótipos considerados mais promissores e verificam seu funcionamento em modelos experimentais. 💉 COMO A VACINA DEVE AGIR NO ORGANISMO A tecnologia estudada busca fazer com que o sistema imunológico produza anticorpos capazes de identificar e capturar a nicotina enquanto ela ainda está presente na corrente sanguínea. Como a molécula da nicotina é muito pequena para provocar, sozinha, uma resposta significativa do sistema imunológico, os pesquisadores desenvolveram uma tecnologia em que ela é associada a uma estrutura que pode ser reconhecida pelo organismo. Dessa maneira, o corpo passa a produzir anticorpos específicos contra a nicotina. Caso a pessoa tenha contato novamente com a substância após receber a vacina, esses anticorpos poderiam prendê-la na corrente sanguínea e diminuir a quantidade que chega ao cérebro. A expectativa é reduzir a capacidade da nicotina de ativar os mecanismos responsáveis pela liberação de dopamina e, consequentemente, diminuir a sensação de prazer relacionada ao consumo. 🔄 FOCO PRINCIPAL É EVITAR QUE O FUMANTE TENHA UMA RECAÍDA A proposta não é substituir os tratamentos existentes para quem deseja parar de fumar. De acordo com os pesquisadores, a vacina seria uma ferramenta complementar para pessoas que já decidiram abandonar o cigarro. Um dos principais objetivos é justamente diminuir o risco de recaída. Mesmo após um período sem fumar, um novo contato com a nicotina pode reativar o sistema de recompensa do cérebro e contribuir para que a pessoa volte ao consumo. Para Ogari Pacheco, a vacina deve atuar como uma proteção para a continuidade do tratamento, e não como substituta das terapias já utilizadas. 🐭 PESQUISA AINDA ESTÁ RESTRITA A EXPERIMENTOS COM ANIMAIS Nos testes realizados até agora, os antígenos desenvolvidos pelo laboratório conseguiram estimular a produção de anticorpos específicos contra a nicotina. Segundo o Cristália, a tecnologia também apresentou resultado positivo em um modelo experimental com animais, no qual conseguiu impedir a adicção. Apesar dos resultados, a pesquisa ainda é considerada preliminar. A vacina não passou por testes em seres humanos e os resultados ainda não foram publicados em uma revista científica com revisão por pares. O laboratório informou que está organizando os dados obtidos para solicitar a patente da tecnologia. A intenção é realizar a publicação científica após a conclusão do processo de depósito. 🔬 AINDA HÁ UM LONGO CAMINHO ATÉ OS TESTES EM HUMANOS Antes que a vacina possa ser testada em voluntários, os pesquisadores ainda precisam concluir os estudos pré-clínicos para avaliar sua segurança e eficácia. Também serão necessárias etapas relacionadas ao desenvolvimento da formulação, ampliação da capacidade de produção e preparação dos estudos clínicos. Somente depois dessas fases poderão ser iniciados os testes em humanos. Nessa etapa, será necessário avaliar cuidadosamente a segurança e a eficácia da vacina antes de um possível pedido de registro junto à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Por enquanto, não há previsão de quando a vacina poderá chegar aos pacientes.


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