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POLILAMININA PODERÁ SER OFERECIDA GRATUITAMENTE PELO SUS APÓS AVAL DA ANVISA, AFIRMA DRA. TATIANA SAMPAIO

A polilaminina, substância que vem apresentando resultados promissores na recuperação de movimentos em pacientes com lesão medular, deverá ser disponibilizada de forma gratuita pelo Sistema Único de Saúde (SUS) após aprovação da Anvisa. A informação foi confirmada pela Dra. Tatiana Sampaio durante entrevista ao programa Roda Viva, exibido pela TV Cultura, na noite de segunda-feira (23). Pesquisadora da Universidade Federal do Rio de Janeiro, Tatiana é a responsável pelo desenvolvimento da proteína. Segundo ela, existe um acordo com o Dr. Pacheco, proprietário do Laboratório Cristália e parceiro exclusivo na produção do medicamento, para que o Ministério da Saúde receba a polilaminina e faça a distribuição nos hospitais públicos de todo o país, caso o tratamento seja aprovado. A cientista destacou que o compromisso firmado é garantir que nenhum paciente brasileiro precise arcar com os custos do tratamento após a liberação oficial. CUSTO E PRODUÇÃO Durante a entrevista, a pesquisadora também esclareceu que o custo de fabricação da polilaminina não é elevado. De acordo com ela, o valor gira em torno de 100 dólares por dose, aproximadamente 517 reais na cotação atual. Tatiana reforçou ainda que somente o Laboratório Cristália está autorizado a produzir a substância, alertando a população para evitar possíveis fraudes ou promessas enganosas envolvendo o medicamento. PESQUISA AINDA ESTÁ EM ANDAMENTO Questionada pelo jornalista Ernesto Paglia se teria descoberto a cura para paralisias causadas por lesões na medula, a bióloga foi cautelosa. Ela afirmou que prefere não falar em “cura”, mas sim em uma substância que tem demonstrado resultados inéditos e bastante animadores, ressaltando que o estudo ainda está em fase inicial. Sobre críticas relacionadas à ausência de grupo controle com placebo em humanos, Tatiana foi enfática ao afirmar que esse tipo de procedimento não é adotado em estudos piloto como o conduzido por sua equipe. Segundo ela, testes com grupo controle foram realizados em animais, mas aplicar placebo em pacientes com lesão medular recente levantaria questões éticas importantes. NOVOS PROTOCOLOS E RESULTADOS A pesquisadora explicou que o trabalho exigiu a criação de métodos próprios dentro do laboratório da UFRJ, por se tratar de uma descoberta inédita. Ela defende que a ciência pode precisar adaptar protocolos para acompanhar avanços dessa magnitude. Até o momento, ao menos 30 pacientes já receberam a aplicação da polilaminina, sendo seis deles tratados diretamente no âmbito da pesquisa universitária. A aplicação é feita exclusivamente por equipe médica treinada pela própria pesquisadora, que se desloca pelo país com apoio financeiro do laboratório, especialmente em casos autorizados por decisão judicial. EXPECTATIVA E PRÓXIMOS PASSOS A substância encontra-se na fase 1 de testes conduzidos pela Anvisa. Ainda não há prazo definido para a conclusão das etapas 1, 2 e 3, que irão avaliar segurança, eficácia e dosagem adequada. A ampla repercussão nas redes sociais e na imprensa, segundo Tatiana, tem dois lados: aumenta a esperança de milhares de pessoas com lesão medular, mas também pode gerar expectativas além do que a ciência já comprovou. Por outro lado, a visibilidade contribuiu para acelerar a análise do órgão regulador e pode atrair investimentos para a continuidade das pesquisas. Enquanto isso, pacientes e familiares aguardam os resultados oficiais, na expectativa de que a polilaminina se torne, de fato, uma alternativa terapêutica acessível e gratuita para quem precisa.

2/24/20261 min read