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MUNICÍPIO DE ITAJAÍ RECEBE 170 KITS PARA ALFABETIZAÇÃO DE ESTUDANTES EM BRAILLE

Parceria com a Fundação Dorina Nowill para Cegos oferece materiais pedagógicos gratuitos e capacitação de 40 professores da rede municipal. Para pessoas cegas ou com baixa visão, a tecnologia amplia as possibilidades de acesso à informação, mas o sistema Braille continua sendo fundamental para a alfabetização, a leitura e a escrita. Nesta terça-feira (27), a Secretaria Municipal de Educação entregou 170 kits Lego Braille Bricks, em uma parceria com a Fundação Dorina Nowill para Cegos, instituição especializada no atendimento a pessoas com deficiência visual. A iniciativa vai contemplar as 54 escolas municipais que contam com salas de recursos multifuncionais, desde a Educação Infantil até o Ensino Fundamental. Cada unidade receberá um kit e um manual de orientação. Ao todo, 40 professores participam de um curso gratuito de 100 horas, oferecido pela fundação em parceria com a Secretaria Municipal de Educação. A entrega foi no Centro Municipal de Educação Alternativa de Itajaí (Cemespi), onde foi realizada a aula presencial. Além dos profissionais da rede municipal, a parceria disponibilizou vagas na capacitação para participantes da ADVIR, associação que atende pessoas com deficiência visual na região da Foz do Rio Itajaí. Os encontros presenciais promovem a troca de experiências entre os participantes e ampliam as possibilidades de utilização dos materiais nas escolas. “Identificamos a necessidade de oferecer recursos mais específicos para as crianças e os adolescentes com deficiência visual atendidos pela nossa rede. Com essa parceria, os professores terão formação e materiais pedagógicos que permitem trabalhar o Braille de forma lúdica, tornando o processo de alfabetização mais acessível e inclusivo”, destaca a supervisora de Educação Especial da Secretaria Municipal de Educação, Simone Barbosa. Os kits são compostos por peças que combinam caracteres em Braille com letras do alfabeto convencional, permitindo que crianças cegas, com baixa visão e videntes participem das atividades em conjunto. Com o material, os professores podem desenvolver exercícios de reconhecimento das letras, formação de sílabas, palavras e pequenas frases, além de explorar a construção de imagens e outras possibilidades de aprendizagem. O recurso estimula a percepção tátil, a memória e a coordenação motora, habilidades importantes para o desenvolvimento da leitura e da escrita. Por meio da exploração das peças com as mãos, os estudantes podem reconhecer os caracteres e compreender como eles se organizam para formar palavras. A chegada dos kits às escolas municipais amplia as possibilidades de alfabetização e inclusão de estudantes cegos ou com baixa visão. Com materiais específicos e professores capacitados, as unidades poderão desenvolver atividades práticas que facilitam o aprendizado do sistema Braille desde a Educação Infantil, favorecendo o reconhecimento de letras, a formação de palavras e o desenvolvimento da leitura e da escrita. A proposta também contribui para a participação conjunta dos estudantes com e sem deficiência visual, estimulando a convivência, a cooperação e o respeito às diferenças. Com os materiais disponíveis nas 54 escolas contempladas, a rede municipal amplia os recursos de atendimento educacional especializado e fortalece as condições para que cada estudante tenha acesso à aprendizagem de acordo com suas necessidades. A rede municipal conta ainda com equipamentos específicos para o atendimento educacional especializado, como máquinas de escrever em Braille e impressoras que produzem materiais nesse sistema. Esses recursos complementam o trabalho pedagógico e contribuem para ampliar a autonomia dos estudantes. O sistema Braille O Braille é um sistema de leitura e escrita tátil formado por combinações de seis pontos em relevo, organizados em duas colunas e três linhas. As diferentes combinações representam letras, números, sinais de pontuação e símbolos utilizados em áreas como matemática e música. A leitura é feita principalmente com as pontas dos dedos, permitindo que pessoas cegas tenham acesso à informação escrita. O sistema foi desenvolvido pelo francês Louis Braille, que perdeu a visão ainda na infância. Durante os estudos em uma instituição para jovens cegos, em Paris, ele conheceu um código de pontos em relevo criado pelo militar Charles Barbier para permitir a comunicação durante a noite. A partir dessa ideia, Louis Braille aperfeiçoou o método e criou um sistema mais simples e adequado à leitura e à escrita, cuja primeira versão foi publicada em 1829. Com o passar do tempo, o Braille se consolidou como um importante instrumento de alfabetização, comunicação e autonomia para pessoas cegas em todo o mundo. Mesmo diante dos avanços tecnológicos e dos recursos de acessibilidade disponíveis em celulares e outros dispositivos, o domínio da leitura e da escrita tátil continua sendo essencial para o acesso à educação e ao conhecimento.

10/28/20261 min read

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