MEDICAMENTOS ELIMINA TUMORES DE CÂNCER DE PÂNCREAS EM TESTES COM ANIMAIS
Pesquisadores espanhóis alcançaram um avanço promissor na luta contra o câncer de pâncreas ao desenvolverem uma terapia baseada na combinação de três fármacos. O estudo, coordenado por Mariano Barbacid, diretor do Grupo de Oncologia Experimental do Centro Nacional de Pesquisa Oncológica da Espanha (CNIO), demonstrou a eliminação completa e duradoura de tumores em camundongos, sem efeitos tóxicos aparentes. A descoberta abre perspectivas para o início de testes clínicos em humanos a partir de 2026. Os resultados foram divulgados na revista científica PNAS e apresentados com o apoio da CRIS Cancer Foundation, entidade reconhecida pelo incentivo à pesquisa em oncologia e hematologia. Como funciona a abordagem experimental A nova estratégia atua simultaneamente sobre três elementos-chave envolvidos no desenvolvimento do câncer pancreático: o oncogene KRAS, fundamental para o surgimento e manutenção do tumor; as proteínas EGFR e STAT3, responsáveis por ativar sinais que estimulam o crescimento descontrolado das células cancerígenas. De acordo com os cientistas, o bloqueio conjunto desses alvos foi essencial para alcançar a resposta terapêutica observada nos experimentos. Resultados obtidos em laboratório Nos ensaios com modelos animais, todos os tumores foram completamente eliminados. Mesmo após mais de 200 dias sem qualquer tipo de tratamento adicional, os camundongos continuaram livres da doença e não apresentaram sinais de toxicidade associados à terapia. Mariano Barbacid destacou a importância do feito ao afirmar que, pela primeira vez, foi possível obter uma resposta total, prolongada e com baixa toxicidade contra o câncer de pâncreas em modelos experimentais, reforçando o potencial das terapias combinadas como caminho para mudar o curso dessa doença. Relevância para pacientes e para a sociedade O anúncio dos resultados contou com a participação da soprano Cristina Domínguez, diagnosticada com câncer de pâncreas em 2015. Em sua fala, ela ressaltou que cada avanço científico representa mais tempo, mais qualidade de vida e novas esperanças para os pacientes, reforçando que investir em pesquisa científica é uma necessidade essencial. A presença de pacientes e representantes da sociedade civil no evento evidenciou a importância da ciência como pilar das políticas públicas de saúde e do financiamento à inovação médica. Um dos cânceres mais letais O adenocarcinoma ductal pancreático (PDAC), forma mais comum da doença, é considerado um dos tipos de câncer mais agressivos. Dados da Sociedade Espanhola de Oncologia Médica (SEOM) indicam que mais de 10 mil novos casos são diagnosticados anualmente na Espanha, com crescimento contínuo na última década. A taxa de sobrevivência em cinco anos permanece entre 8% e 10%, refletindo tanto a dificuldade do diagnóstico precoce quanto a escassez de tratamentos eficazes. Próximas etapas da pesquisa Apesar dos resultados animadores, os pesquisadores reforçam que a eficácia da terapia ainda precisa ser confirmada em humanos. A previsão é que o inibidor de KRAS avance para ensaios clínicos entre 2026 e 2027. Já os degradadores de STAT3, atualmente estudados no tratamento da leucemia mieloide aguda, poderão futuramente integrar protocolos combinados voltados ao câncer de pâncreas. Especialistas avaliam que, se os achados forem confirmados em estudos clínicos, essa abordagem poderá representar um marco no tratamento de uma doença historicamente associada a prognóstico desfavorável e opções terapêuticas limitadas.




