JÚRI POPULAR ABSOLVE SARGENTO DA PM EM ITAJAÍ APÓS 14 ANOS DE PROCESSO
O sargento da Polícia Militar Fernando Silva de Oliveira, conhecido como Silva, foi absolvido pelo Tribunal do Júri de Itajaí nesta segunda-feira (10). O policial respondia a uma acusação apresentada pelo Ministério Público de Santa Catarina (MPSC) relacionada à morte de Anderson Coelho, ocorrida durante uma ação policial em fevereiro de 2012. O julgamento teve início pela manhã e foi encerrado por volta das 23h30. O Conselho de Sentença era composto por sete jurados — quatro homens e três mulheres. Quatro deles votaram pela absolvição do sargento e, após a formação da maioria necessária, os demais votos não precisaram ser revelados. CASO ACONTECEU EM 2012 A ocorrência que deu origem ao processo aconteceu na madrugada de 10 de fevereiro de 2012, em Itajaí, depois de uma sequência de assaltos contra entregadores de estabelecimentos comerciais da cidade. Na noite anterior, três roubos contra entregadores de estabelecimentos de alimentação haviam sido registrados. Entre os comércios citados no processo estava o Pastelícia, que tinha Fernando de Oliveira como proprietário. Segundo a denúncia apresentada pelo Ministério Público, policiais chegaram até a residência de Anderson após identificarem uma motocicleta com características semelhantes às do veículo que teria sido utilizado nos assaltos. Quatro policiais entraram no imóvel por volta da 1h30. Conforme sustentado pela acusação ao longo do processo, Anderson foi atingido durante a ação e morreu no local. DEFESA SEMPRE SUSTENTOU QUE HOUVE CONFRONTO Desde o início do caso, Fernando de Oliveira sustentou que houve um confronto durante a ocorrência policial. Informações apresentadas ao longo do processo apontavam que a investigação relacionada à atuação dos policiais havia considerado a ação legal. Posteriormente, no entanto, a Justiça determinou que o caso fosse analisado pelo Tribunal do Júri. O Ministério Público apresentou uma interpretação diferente dos acontecimentos. De acordo com a acusação, Fernando teria agido acreditando que Anderson estaria envolvido nos roubos praticados contra entregadores, inclusive contra o estabelecimento ligado ao policial. O MPSC também sustentava que Anderson teria sido atingido dentro do quarto e que não teria tido possibilidade de defesa. Com base nessa versão, Fernando foi denunciado por homicídio qualificado. ACUSAÇÃO TAMBÉM APONTOU SUPOSTA ALTERAÇÃO DA CENA Durante a ação penal, o Ministério Público alegou ainda que a cena da ocorrência teria sido modificada após a morte. Segundo a denúncia, uma arma teria sido colocada no local e disparos teriam sido simulados para sustentar a versão de que Anderson teria atirado contra os policiais. A acusação também afirmava que outros policiais envolvidos na ocorrência teriam omitido informações durante os depoimentos prestados no inquérito para fortalecer a tese de legítima defesa. Além de Fernando de Oliveira, Júlio Amando Gomes Filho, Otávio Manoel Ferreira Filho e Paljor Lincon Pauli também foram citados na denúncia, respondendo, conforme a acusação apresentada no processo, por crimes relacionados a falso testemunho e fraude processual. DEFESA PEDIU ABSOLVIÇÃO Antes do julgamento, o advogado Claudio Dalledone, responsável pela defesa de Fernando de Oliveira, afirmou que buscaria a absolvição do sargento. A defesa destacou a trajetória profissional do policial e sustentou que ele atuou durante anos no enfrentamento à criminalidade. Dalledone argumentou ainda que Fernando vinha enfrentando o processo havia mais de uma década e defendia que o júri reconhecesse a versão apresentada pelo policial. Após horas de julgamento, os jurados decidiram pela absolvição do sargento, encerrando, nesta etapa, um processo iniciado a partir de uma ocorrência registrada há 14 anos em Itajaí.


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