JOVEM TETRAPLÉGICA VOLTA A MOVER OS BRAÇOS APÓS TRATAMENTO EXPERIMENTAL DESENVOLVIDO NO BRASIL
Um avanço promissor da ciência brasileira tem renovado a esperança de pessoas com lesão medular. Cinco meses após receber uma dose experimental de polilaminina, a jovem Júlia Magalhães, de 19 anos, voltou a movimentar os braços durante o processo de reabilitação. A evolução foi compartilhada nas redes sociais por meio de um vídeo que emocionou milhares de pessoas. Júlia ficou tetraplégica após sofrer um grave acidente em janeiro deste ano. Ela é a quarta paciente do Rio de Janeiro e a 23ª em todo o Brasil a participar do estudo clínico que avalia a eficácia da polilaminina, substância desenvolvida pela pesquisadora Tatiana Sampaio, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Nas imagens divulgadas, a jovem aparece realizando movimentos com os braços durante uma sessão de fisioterapia. O progresso representa uma conquista importante para quem, após o acidente, perdeu os movimentos dos braços, pernas e tronco. Moradora da Ilha do Governador, no Rio de Janeiro, Júlia seguia para a Barra da Tijuca para se despedir de amigos antes de se mudar para Fortaleza quando sofreu o acidente que provocou a lesão na medula espinhal. Ela relatou que só compreendeu a gravidade da situação ao despertar no hospital e descobrir que teria de enfrentar uma nova realidade. Em busca de alternativas para a recuperação, a família conheceu o trabalho da pesquisadora Tatiana Sampaio, responsável pelo desenvolvimento da polilaminina. A substância é produzida a partir de uma versão modificada da laminina, proteína presente naturalmente no organismo e que desempenha papel importante na regeneração dos tecidos. O tratamento foi realizado em 16 de fevereiro, quando Júlia recebeu uma única aplicação da substância durante uma cirurgia, diretamente na região lesionada da medula espinhal. Desde então, a jovem mantém uma intensa rotina de reabilitação, com sessões de fisioterapia de segunda a sexta-feira, exercícios de fortalecimento muscular, bicicleta elétrica, mesa ortostática, treinamento respiratório e acompanhamento psicológico para auxiliar na recuperação física e emocional. Segundo a equipe responsável pelo tratamento, os avanços acontecem gradualmente, mas já demonstram evolução significativa em comparação ao estado inicial da paciente. Apesar dos resultados animadores, a polilaminina ainda é considerada um tratamento experimental. O estudo clínico, autorizado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), está na fase inicial e busca avaliar principalmente a segurança da substância e seus efeitos em pacientes com lesão medular aguda. A recuperação de Júlia representa mais um passo importante para a pesquisa científica brasileira e fortalece a expectativa de que novas alternativas possam surgir para pessoas que convivem com lesões na medula espinhal.


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