FIM DA ESCALA 6X1 PODE GERAR PERDA DE EMPREGOS E IMPACTOS NA ECONOMIA, APONTA ESTUDO
Uma proposta em análise no Congresso Nacional que prevê o fim da escala de trabalho 6x1 pode trazer consequências negativas para o mercado de trabalho e para a economia brasileira. É o que aponta uma nota técnica elaborada pelo grupo Ranking dos Políticos, que alerta para possíveis efeitos como aumento da informalidade, inflação e desaceleração econômica. De acordo com o levantamento, em um cenário mais crítico, a mudança no modelo de jornada poderia resultar na eliminação de até 1,15 milhão de empregos formais e provocar uma retração de até 8,1% no Produto Interno Bruto (PIB). A proposta está sendo debatida por meio da PEC 8/2025, que trata da reorganização das escalas de trabalho no país. O estudo destaca que a escala 6x1 já é amplamente utilizada e reconhecida pela legislação trabalhista, respeitando os limites constitucionais de jornada. Para os autores, a retirada desse modelo representaria uma alteração significativa em um sistema considerado consolidado. Eles defendem que eventuais mudanças deveriam ser discutidas por meio de negociações coletivas entre empresas e trabalhadores, e não aplicadas de forma obrigatória para todos os setores. Na avaliação econômica, a redução da jornada sem aumento proporcional de produtividade pode elevar os custos das empresas, principalmente nos setores de comércio e serviços. Isso poderia levar empregadores a reduzir contratações formais ou buscar alternativas para manter a produção, o que impactaria diretamente o nível de emprego. O documento também questiona a ideia de que a diminuição da jornada resultaria automaticamente na criação de novas vagas — conceito conhecido como compartilhamento de trabalho. Segundo o estudo, experiências em países como França, Portugal e Japão mostraram que os efeitos sobre a geração de empregos foram limitados. Outro ponto levantado é o risco de crescimento da informalidade. Com custos maiores para contratar formalmente, trabalhadores poderiam migrar para atividades sem carteira assinada, reduzindo renda e consumo. O estudo descreve esse cenário como um possível “paradoxo”: mais tempo livre, mas necessidade de buscar renda extra fora do mercado formal. Por fim, a análise conclui que melhorias reais na qualidade de vida dos trabalhadores dependem principalmente de fatores como aumento da produtividade, qualificação profissional e cumprimento das leis trabalhistas, e não apenas da redução obrigatória da jornada de trabalho.




