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“EU SÓ QUERIA SAIR COM MEU BEBEZINHO NO COLO”: MÃE RELATA ATENDIMENTO ANTES DA MORTE DE BEBÊ DE 45 DIAS EM SC

A mãe do bebê de apenas 45 dias que morreu após passar por atendimento no Hospital Cirúrgico Camboriú relatou os momentos vividos na unidade de saúde e afirmou que o filho teria apresentado uma piora após receber medicamentos. Em entrevista ao apresentador Adilson de Souza, do programa Tribuna do Povo, da NDTV Record Itajaí, Fernanda contou que chegou a questionar o médico sobre a medicação prescrita devido à pouca idade da criança. Segundo ela, posteriormente teria sido informada de que uma quantidade superior à indicada havia sido administrada no bebê. BEBÊ FOI LEVADO AO HOSPITAL APÓS REAÇÃO ALÉRGICA De acordo com a mãe, a criança apresentou uma reação alérgica depois de ingerir fórmula infantil e foi levada ao Hospital Cirúrgico Camboriú. Fernanda afirmou que considerava o quadro inicialmente pequeno. No hospital, teriam sido prescritas dexametasona e adrenalina. Segundo o relato, ela questionou o médico sobre o uso dos medicamentos em uma criança de apenas 45 dias. O profissional teria explicado que a medicação fazia parte do protocolo adotado para aquele tipo de situação. MÃE DIZ QUE FILHO PIOROU APÓS MEDICAÇÃO Fernanda relatou que foi chamada por uma profissional para acompanhar o bebê até uma sala onde os medicamentos seriam administrados. Segundo ela, a profissional não teria informado se era enfermeira ou técnica de enfermagem. Após a aplicação, ainda conforme a mãe, o bebê começou a apresentar alterações importantes. Ela relata que o filho chorou intensamente, evacuou, apresentou tremores, tentativa de vômito e ficou com as mãos e os pés arroxeados. A mãe afirmou que imediatamente pediu ajuda e alertou que alguma coisa estaria acontecendo com a criança. Segundo Fernanda, o médico foi chamado e inicialmente teria informado que a situação poderia ser uma reação ao medicamento e que o bebê iria melhorar. Entretanto, ela diz ter percebido preocupação entre os profissionais que participavam do atendimento. MÃE AFIRMA QUE MÉDICO INFORMOU DOSE ACIMA DA INDICADA Conforme o relato de Fernanda, enquanto eram realizados procedimentos no bebê e organizada a transferência para Itajaí, o médico teria informado, cerca de uma hora e meia depois, que uma quantidade maior de medicamento havia sido administrada. A mãe afirma que recebeu a informação de que a indicação seria de 0,3, mas que uma ampola inteira teria sido aplicada. Fernanda também relatou ter questionado se o medicamento administrado daquela forma seria destinado a um adulto e afirma que teria recebido uma resposta positiva. Ela questiona por que não teria sido informada imediatamente após a identificação da possível intercorrência. CRIANÇA FOI TRANSFERIDA PARA ITAJAÍ O bebê foi transferido de ambulância para o Hospital Infantil Pequeno Anjo, em Itajaí. Segundo Fernanda, o filho saiu do hospital de Camboriú com vida e recebendo oxigenação, mas ainda apresentava um quadro considerado grave. Uma equipe aguardava a chegada da criança ao hospital de Itajaí. Conforme o relato da mãe, o bebê foi encaminhado para a UTI e, menos de 15 minutos depois, a família recebeu a informação de que ele havia morrido. Abalada, Fernanda afirmou que busca respostas sobre todo o atendimento prestado ao filho e também aguarda os laudos relacionados à morte da criança. “Eu quero respostas. Eu quero justiça pelo meu filho”, afirmou. Em outro momento, a mãe declarou que gostaria apenas de ter deixado o hospital com o filho nos braços. “Eu só queria ter saído com o meu bebezinho no colo. Eu só queria ter saído com meu bebezinho nos meus braços”, disse. SECRETARIA DE SAÚDE CONFIRMA REGISTRO DE QUANTIDADE SUPERIOR À PRESCRITA A Secretaria Municipal de Saúde de Camboriú informou anteriormente que registros existentes no prontuário apontam a administração de uma quantidade de medicamentos superior àquela prescrita pelo médico. A Secretaria, no entanto, não detalhou quais medicamentos teriam sido administrados em quantidade acima da indicação. Segundo a pasta, o bebê chegou ao Hospital Cirúrgico Camboriú após uma reação alérgica relacionada à ingestão de fórmula infantil e já apresentava alterações clínicas consideradas relevantes. Entre os registros da avaliação inicial estava uma saturação de oxigênio de 78%. A Secretaria informou ainda que houve prescrição médica para o tratamento e que posteriormente foi identificada a administração de quantidade superior à prescrita. O caso está sendo apurado oficialmente. A pasta ressaltou que, até o momento, não existe conclusão técnica sobre quais consequências a intercorrência teria provocado no quadro da criança nem se existe relação direta entre a administração dos medicamentos e a morte. Após a identificação da situação, segundo a Secretaria, foram adotadas medidas de suporte e monitoramento, além do acionamento do Samu para realizar a transferência. Ainda conforme os registros do Hospital Cirúrgico Camboriú citados pela Secretaria, o bebê estava hemodinamicamente estável quando foi transferido. DIREÇÃO DO HOSPITAL APRESENTOU VERSÃO DIFERENTE A direção do Hospital Cirúrgico Camboriú apresentou outra versão sobre o atendimento no boletim de ocorrência registrado sobre o caso. Segundo os responsáveis pela unidade, o bebê teria chegado ao hospital apresentando uma reação alérgica grave associada à alergia à proteína do leite. A direção informou que adrenalina e dexametasona foram prescritas e administradas de acordo com o protocolo médico. Ainda conforme essa versão, após receber a medicação, a criança apresentou alterações fisiológicas e uma Unidade de Suporte Avançado do Samu foi acionada para realizar a transferência. A direção afirmou também que o bebê foi encaminhado para Itajaí em quadro clínico estáável e sem necessidade de intubação. Os profissionais envolvidos diretamente no atendimento foram afastados cautelarmente, e os conselhos profissionais de Enfermagem (Coren) e Medicina (CRM) foram comunicados oficialmente. MORTE DO BEBÊ É INVESTIGADA A ocorrência policial foi registrada inicialmente como homicídio culposo, quando não existe intenção de matar. O boletim reúne diferentes relatos apresentados à Polícia Militar e o caso deverá continuar sendo investigado pelas Polícias Civil e Científica. A investigação deverá analisar, entre outros elementos, os prontuários médicos, os medicamentos prescritos e efetivamente administrados, as respectivas dosagens e a evolução do estado clínico da criança. A Secretaria Municipal de Saúde de Camboriú também informou que notificou com urgência a administração do Hospital Cirúrgico Camboriú para que apresente esclarecimentos. Além disso, determinou a preservação integral dos prontuários, documentos, registros assistenciais e demais informações relacionadas ao atendimento. Até o momento, não há conclusão oficial sobre eventual responsabilidade pela morte da criança.

8/16/20261 min read

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