CIENTISTAS REATIVAM MECANISMO DE “AUTORREPARO” DO CORAÇÃO APÓS INFARTO
Pesquisadores dos Estados Unidos identificaram uma estratégia experimental capaz de estimular mecanismos naturais de regeneração do coração após um infarto. Em testes realizados com camundongos, a técnica fez células cardíacas voltarem a se multiplicar, favoreceu a formação de novos vasos sanguíneos e reduziu a quantidade de tecido cicatricial provocado pela lesão. O estudo foi conduzido por cientistas do Sanford Burnham Prebys Medical Discovery Institute e publicado em 28 de setembro na revista científica Nature Cardiovascular Research. 🫀 UM MECANISMO QUE EXISTE NO CORAÇÃO DOS RECÉM-NASCIDOS Na fase adulta, o coração possui capacidade bastante limitada de regeneração. Depois de um infarto, parte das células do músculo cardíaco pode morrer e ser substituída por tecido de cicatriz, que não apresenta a mesma capacidade de contração. Os pesquisadores observaram que essa capacidade é diferente logo após o nascimento. Em camundongos recém-nascidos, o coração consegue se regenerar durante aproximadamente uma semana. Depois desse período, esse mecanismo diminui drasticamente. A equipe buscou entender como recuperar parte dessa característica. 🔬 ALTERAÇÃO NO METABOLISMO DAS CÉLULAS Os cientistas descobriram que uma mudança temporária no metabolismo das células cardíacas pode fazer com que elas assumam características semelhantes às observadas durante os primeiros dias de vida. Para isso, os pesquisadores bloquearam temporariamente uma enzima chamada succinato desidrogenase, utilizando uma substância conhecida como malonato. A intervenção alterou a maneira como as células produzem energia e desencadeou respostas associadas à regeneração. 🧬 DIFERENTES CÉLULAS PARTICIPAM DA RECUPERAÇÃO Outro ponto observado no estudo foi que a regeneração não depende de apenas um tipo de célula. Nos cardiomiócitos, responsáveis pela contração do coração, a alteração metabólica estimulou a multiplicação celular. Já nos fibroblastos cardíacos, células relacionadas à formação do tecido cicatricial, o efeito foi diferente: houve redução da fibrose e melhora da função cardíaca nos animais estudados. Segundo os pesquisadores, a recuperação ocorre a partir da interação entre diferentes tipos de células presentes no coração. 🧬 GENES LIGADOS À REGENERAÇÃO FORAM ATIVADOS A equipe também analisou alterações no DNA das células após o tratamento. Os pesquisadores identificaram maior acessibilidade em regiões associadas a genes envolvidos na multiplicação celular e na regeneração. Ao mesmo tempo, genes relacionados à formação de cicatrizes apresentaram menor atividade. A hipótese é que a chamada reprogramação metabólica consiga despertar vários mecanismos que normalmente estão presentes no coração durante os primeiros dias de vida. ⚠️ AINDA NÃO É UM TRATAMENTO PARA HUMANOS Apesar dos resultados, a descoberta ainda está em fase experimental. Os testes apresentados foram realizados em camundongos, e a estratégia ainda não foi comprovada em seres humanos. Os próximos estudos deverão avaliar principalmente a segurança e a possibilidade de transformar essa abordagem em uma futura terapia para pacientes que sofreram infarto. Os pesquisadores esperam, no futuro, investigar se a reativação desses mecanismos naturais poderá ajudar o coração humano a se recuperar com menos formação de cicatrizes e maior preservação do músculo cardíaco.


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