CIENTISTAS IDENTIFICAM MECANISMO QUE PODE AJUDAR A REDUZIR O RONCO ALTO
Uma nova pesquisa pode abrir caminho para tratamentos mais eficazes contra o ronco intenso. Cientistas conseguiram simular em computador o funcionamento das vias respiratórias durante o sono e identificaram um dos mecanismos que contribuem para a produção do barulho. O estudo foi desenvolvido por pesquisadores do Instituto Real de Tecnologia KTH, em Estocolmo, na Suécia, e publicado no dia 18 na revista científica Physics of Fluids. Para realizar a análise, a equipe criou um modelo tridimensional das vias aéreas superiores capaz de reproduzir simultaneamente o fluxo de ar, o movimento dos tecidos e a formação do som. Os resultados chamaram a atenção para o palato mole, tecido localizado na parte posterior do céu da boca. Segundo os pesquisadores, quando o ar passa de maneira irregular por essa região durante a respiração, o tecido pode vibrar e gerar alguns dos sons mais intensos associados ao ronco. SIMULAÇÃO REVELA COMO O SOM É PRODUZIDO O modelo computacional permitiu observar fenômenos que seriam difíceis de acompanhar diretamente em uma pessoa durante o sono. De acordo com Peng Li, pesquisador do KTH e um dos autores do trabalho, o objetivo é compreender melhor como a respiração provoca o ronco e quais são os principais mecanismos responsáveis pela geração do som. A pesquisa indica que reduzir a vibração do palato mole ou modificar a maneira como o ar circula nessa região pode contribuir para diminuir determinados tipos de ronco. No futuro, as descobertas poderão auxiliar na avaliação de procedimentos destinados a deixar o palato mais rígido ou alterar o fluxo de ar. DESCOBERTA AINDA NÃO REPRESENTA UM NOVO TRATAMENTO Apesar dos resultados, os cientistas ressaltam que ainda não existe uma nova terapia disponível com base no estudo. A pesquisa foi realizada utilizando um modelo computacional simplificado e não envolveu pacientes recebendo qualquer novo tratamento. Na próxima fase, os pesquisadores pretendem modificar virtualmente diferentes níveis de rigidez do palato para avaliar os efeitos sobre a vibração, o volume e a frequência do ronco, além das mudanças provocadas na passagem do ar. RONCO COMUM É DIFERENTE DE APNEIA DO SONO O estudo analisou especificamente o chamado ronco palatal que não está relacionado à apneia. A apneia obstrutiva do sono é uma condição diferente e mais grave, caracterizada por interrupções repetidas da respiração durante o sono e que necessita de avaliação médica. Segundo os pesquisadores, muitos estudos anteriores estavam concentrados principalmente na apneia. A nova pesquisa busca ampliar o conhecimento sobre o ronco comum, que também pode afetar a qualidade do sono tanto de quem ronca quanto das pessoas que dormem próximas.


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