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CIENTISTA CRITICA RESTRIÇÕES DA ANVISA À POLILAMININA E SE EMOCIONA AO RELATAR PEDIDOS DE PACIENTES

A pesquisadora brasileira Tatiana Coelho de Sampaio, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), afirmou que tem se emocionado com frequência ao precisar negar o acesso à polilaminina a famílias de pessoas com paraplegia ou tetraplegia após acidentes. A declaração foi feita durante uma transmissão ao vivo realizada na noite de quinta-feira (27). Tatiana, que lidera há quase três décadas pesquisas envolvendo a substância, criticou mudanças nos critérios adotados para o uso compassivo da polilaminina. Segundo ela, anteriormente chegaram a ser autorizados casos de pacientes com lesões de até 90 dias, enquanto atualmente estaria sendo considerada uma janela de apenas 72 horas, além de critérios mais restritos relacionados ao tipo de lesão. Durante a entrevista, a cientista relatou o impacto emocional causado pelos pedidos recebidos diariamente. Questionada sobre como se sente ao informar às famílias que muitos pacientes não se enquadram nas regras atuais, Tatiana disse que chora “quase todos os dias”. De acordo com Mitter Mayer Borges, coordenador do programa de uso compassivo da polilaminina, aproximadamente 500 pessoas aguardariam uma possibilidade de receber o tratamento. Segundo ele, cerca de 200 pacientes já teriam ultrapassado o prazo estabelecido pelos novos critérios. Tatiana classificou como uma “crueldade” impedir que pessoas sem outras alternativas terapêuticas tenham seus casos analisados para utilização experimental da substância dentro das regras de uso compassivo. A pesquisadora argumenta que teria ocorrido uma interpretação inadequada ao aplicar ao uso compassivo critérios semelhantes aos previstos para o estudo clínico de fase 1. Esse estudo prevê inicialmente cinco pacientes adultos com lesões completas e agudas da medula torácica, entre T2 e T10, com aplicação da substância em até 72 horas após o trauma. Tatiana afirma que as duas situações são diferentes e lembra que a própria regulamentação sobre uso compassivo prevê a análise de fatores como gravidade da doença, inexistência de alternativa terapêutica satisfatória e avaliação dos possíveis riscos e benefícios. A cientista também declarou que tenta conversar com representantes da Anvisa sobre o assunto, mas que ainda não conseguiu avançar no diálogo. Ela afirmou ainda buscar contato com o Ministério da Saúde. A discussão chegou ao Senado, onde a senadora Mara Gabrilli apresentou requerimento solicitando informações ao Ministério da Saúde sobre os critérios adotados pela Anvisa para fornecimento excepcional da polilaminina por meio dos programas de uso compassivo e acesso expandido. A procura pelo tratamento, segundo os responsáveis pelo programa, também envolve pessoas de outros países. Interessados da Turquia, Estados Unidos, França e países da América Latina já teriam procurado informações. Com uma janela de apenas três dias após o acidente, porém, o deslocamento internacional e todo o processo de avaliação e autorização se tornam extremamente difíceis. A expectativa em torno da substância cresceu após a publicação, em agosto, de um estudo piloto com oito pacientes que sofreram lesões traumáticas completas da medula. Seis apresentaram melhora neurológica de pelo menos dois níveis na escala AIS. Os próprios pesquisadores, entretanto, ressaltam que o número reduzido de participantes e a ausência de um grupo de controle não permitem concluir que as melhorias foram provocadas diretamente pela polilaminina. Estudos maiores e controlados ainda são necessários para comprovar sua eficácia. Um dos casos mais conhecidos relacionados à pesquisa é o do bancário Bruno Drummond de Freitas, que ficou tetraplégico após um grave acidente de carro em 2018. Ele recebeu a substância menos de 24 horas após o trauma e, junto com um longo processo de fisioterapia e reabilitação, recuperou progressivamente movimentos. Bruno também se manifestou recentemente sobre a discussão e defendeu a continuidade das pesquisas científicas para que a segurança e a eficácia da polilaminina possam ser devidamente comprovadas. A polilaminina continua sendo um tratamento experimental e ainda não possui autorização para uso amplo. A comprovação definitiva de seus benefícios dependerá dos resultados de estudos clínicos maiores e controlados.

8/29/20261 min read

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