CÉLULAS DA MÃE PODEM PERMANECER NO CORPO DOS FILHOS POR DÉCADAS, APONTAM ESTUDOS
A gravidez pode deixar uma marca biológica que vai muito além do período de gestação. Pesquisas científicas mostram que algumas células da mãe conseguem atravessar a placenta, chegar ao organismo do bebê e permanecer no corpo dos filhos por muitos anos, inclusive até a vida adulta. Esse fenômeno é conhecido como microquimerismo materno e vem sendo estudado por pesquisadores que buscam entender qual é a função dessas células no organismo. Duas revisões científicas recentes voltaram a analisar o tema. Uma delas foi publicada em setembro de 2026 na revista Clinical Science, enquanto outra, divulgada em agosto no American Journal of Reproductive Immunology, concentrou-se especialmente na presença dessas células no cérebro. CÉLULAS PODEM FICAR POR MUITOS ANOS Durante a gestação, ocorre uma troca de células entre mãe e filho. Células do bebê podem passar para o organismo materno, enquanto células da mãe também conseguem atravessar a placenta e chegar ao feto. Embora muitas dessas células desapareçam após o nascimento, uma pequena quantidade pode permanecer no organismo durante décadas. Pesquisas realizadas desde o fim dos anos 1990 já haviam identificado células de origem materna em pessoas adultas. Em um estudo publicado em 1999 no Journal of Clinical Investigation, pesquisadores encontraram esse tipo de material celular tanto em pessoas saudáveis quanto em pacientes adultos, incluindo participantes com até 49 anos. PRESENÇA TAMBÉM FOI IDENTIFICADA NO CÉREBRO Uma das áreas que mais chama a atenção dos cientistas é o cérebro. Um estudo publicado em 2020 identificou células que apresentavam características de origem materna em amostras cerebrais de homens adultos. Algumas delas apresentavam características semelhantes às de células nervosas, enquanto outras estavam relacionadas ao sistema imunológico. Uma revisão científica publicada em agosto de 2026 reuniu diferentes pesquisas sobre o assunto e destacou que ainda são necessários novos estudos para descobrir exatamente o papel dessas células no cérebro e quais efeitos, se houver, elas podem provocar ao longo da vida. CÉLULAS PODEM TER RELAÇÃO COM A IMUNIDADE O sistema imunológico também está entre os principais focos das pesquisas. De acordo com a revisão publicada recentemente na Clinical Science, as células maternas podem participar de processos relacionados ao desenvolvimento e à maturação do sistema imunológico dos filhos, além de possivelmente contribuir para respostas contra infecções. Ao mesmo tempo, os pesquisadores estudam se a presença dessas células pode estar relacionada a determinadas doenças inflamatórias e autoimunes. Por isso, a ciência ainda não considera essas células necessariamente positivas ou negativas. Seus efeitos podem depender do tecido em que estão presentes, da idade e de outras características individuais. NÃO SIGNIFICA QUE AS CÉLULAS FIQUEM “PARA SEMPRE” Apesar de algumas publicações nas redes sociais afirmarem que as células maternas permanecem no organismo dos filhos para sempre, essa afirmação vai além do que as pesquisas comprovam. O que os estudos indicam é que pequenas populações de células provenientes da mãe podem permanecer no corpo dos filhos durante muitos anos e, em alguns casos, chegar à idade adulta. O microquimerismo materno já é conhecido pela ciência há décadas, mas pesquisadores continuam investigando como essas células sobrevivem, onde se concentram e qual é exatamente a influência delas no organismo humano.


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