CASARÃO HISTÓRICO DE ITAJAÍ PODE SER PRESERVADO E ESCAPAR DA DEMOLIÇÃO PARA NOVA TORRE DE LUXO
O casarão construído na década de 1950, onde atualmente funciona o Italiana Garden Café, no Centro de Itajaí, pode ganhar proteção definitiva e não ser demolido. Um parecer técnico do Conselho Municipal de Políticas Culturais recomenda o tombamento do imóvel, considerado importante para a história e para a arquitetura da cidade. Localizada na esquina das ruas Olímpio Miranda Júnior e XV de Novembro, a construção foi erguida no início dos anos 1950 e é apontada como um dos exemplares remanescentes da chamada arquitetura Californiana, também conhecida como Spanish Colonial Revival, que teve presença marcante em Itajaí naquele período. Mesmo após reformas realizadas ao longo dos anos, o imóvel ainda mantém características da construção original, como o torreão cilíndrico na esquina, telhados com diferentes inclinações e telhas cerâmicas, varandas, grades de ferro, revestimentos e detalhes decorativos nas fachadas. O parecer destaca ainda que Itajaí não possui atualmente outro imóvel tombado que tenha sido originalmente projetado e construído para uso residencial e que represente a arquitetura da década de 1950. Entre os imóveis residenciais históricos protegidos está a Casa Malburg, construída na década de 1930. CASARÃO TEM RELAÇÃO COM FAMÍLIA IMPORTANTE DE ITAJAÍ Além da arquitetura, a história do imóvel também é considerada um fator importante para sua preservação. A residência foi encomendada por Aníbal César, teve o projeto aprovado em 17 de janeiro de 1950 e foi elaborado pelo engenheiro Luiz Alberto Nastari. A construção ficou sob responsabilidade da empresa Francisco Canziani e Cia Ltda. A família César teve participação na vida política e administrativa de Itajaí. Júlio César, filho de Aníbal, foi prefeito do município entre 1969 e 1973, além de ter exercido mandato de deputado estadual e ocupado a presidência da Assembleia Legislativa de Santa Catarina. O imóvel também foi residência e propriedade de Antoninho Carvalho, atleta que teve passagens pelo Marcílio Dias e pelo Almirante Barroso. Com o passar dos anos, a casa deixou de ser utilizada como residência e passou a receber diferentes atividades comerciais, entre elas bares, cafés, escritórios e lojas. Atualmente, o térreo abriga a loja Gatos e Atos, enquanto o pavimento superior funciona o Italiana Garden Café. IMÓVEL É CONSIDERADO PARTE DA HISTÓRIA DO CENTRO Outro ponto destacado no parecer é a localização da construção. O casarão está inserido em uma região central que passou por grandes transformações urbanas, incluindo verticalização e reurbanização. Para o Conselho, manter a edificação ajuda a preservar a diversidade arquitetônica do Centro, permitindo que construções antigas continuem convivendo com prédios modernos. O estudo classifica o imóvel como uma “edificação histórica ativa”, justamente por continuar sendo utilizado e fazer parte da rotina da comunidade. POSSIBILIDADE DE DEMOLIÇÃO GEROU REAÇÃO DE MORADORES A possibilidade de derrubada do casarão já havia provocado repercussão entre moradores e nas redes sociais. Informações divulgadas anteriormente apontavam que o terreno poderia dar lugar a uma torre de luxo, envolvendo uma área que abrangeria pelo menos quatro imóveis próximos, chegando até a região do Novotel. Também havia previsão de que o Italiana Garden Café deixasse o endereço e fosse transferido para a Associação Atlética Banco do Brasil (AABB), em março de 2027. O parecer cita manifestações de moradores favoráveis à preservação da construção e considera a mobilização da comunidade um dos elementos que contribuíram para a recomendação de tombamento. PROPRIETÁRIO PODE TER COMPENSAÇÃO FINANCEIRA Caso o tombamento seja aprovado, o proprietário não perde o imóvel. A legislação municipal prevê mecanismos de compensação para situações em que a proteção do patrimônio limite o potencial construtivo do terreno. Uma das alternativas é a Transferência do Direito de Construir (TDC), que permite transferir ou vender para outro imóvel parte do direito de construção que não poderá ser utilizado no terreno protegido. No caso da antiga Casa Aníbal César, o parecer estima em 809,33 metros quadrados o potencial construtivo que poderia ser transferido. Considerando o valor do CUB comercial médio de agosto de 2026, o estudo aponta uma estimativa de R$ 2.719.583,51 relacionada à transferência desse direito construtivo. O documento também menciona a possibilidade de isenção anual do IPTU para imóveis tombados no município. TOMBAMENTO AINDA NÃO ESTÁ DEFINIDO Segundo Eliezer Patissi, representante do Conselho Municipal de Políticas Culturais, o tombamento não significa impedir o crescimento da região. A proposta é preservar a construção histórica e, ao mesmo tempo, permitir que novos empreendimentos sejam realizados no entorno. O parecer recomenda o tombamento definitivo da antiga Casa Aníbal César, buscando garantir a preservação do imóvel, sua permanência no Centro de Itajaí e a continuidade de seu uso pela comunidade. O processo, porém, ainda precisa avançar. O proprietário deverá ser notificado e terá direito de apresentar contestação. Depois dessa etapa, o procedimento poderá seguir para o Executivo municipal, que será responsável pela decisão final sobre a aprovação ou não do tombamento.


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