A CANTORA DA JANELA: A GUARDIÃ FOLCLÓRICA DO CENTRO DE ITAJAÍ
Senta que lá vem a história! No coração do centro de Itajaí, um dos personagens mais marcantes da memória popular é uma mulher conhecida por muitos como a moça que cantava na janela. Quem circulava pela esquina da Rua Brusque com a Praça da Matriz, facilmente a avistava — sempre no segundo andar do antigo prédio do Bar Garoto, observando tudo com olhos atentos. Margareth, como se chamava, acabou se tornando um verdadeiro ponto de referência na cidade. Era impossível não notar sua presença: ali, entre o vai-e-vem das pessoas e o som da vida urbana, ela soltava a voz com canções antigas, carregadas de emoção. Dizia-se que ela esperava o noivo que prometera voltar de navio. Esse navio, no entanto, nunca chegou. E mesmo assim, ela seguia esperando. Em um certo dia, cheia de esperança, organizou uma festa para receber o tão esperado amor. Convidou os vizinhos, preparou comida farta... mas mais uma vez, o noivo não apareceu. Apesar da decepção, Margareth manteve sua rotina: cantar e esperar. Por duas décadas, viveu sozinha no mesmo apartamento. Quando estava alegre, se arrumava com capricho, colocava seus adornos preferidos e cantava as músicas de sua juventude. Nunca foi de ir a bailes, preferia mesmo era a janela — seu palco particular. Flertava com quem passava, mas sempre manteve um certo ar de mistério. O sonho de casar e ter filhos nunca se concretizou. Ela não era apenas uma figura excêntrica — era quase uma guardiã do centro da cidade, alguém que fazia parte do cenário urbano tanto quanto a igreja Matriz que observava todos os dias. No dia 6 de fevereiro de 2010, Margareth partiu, deixando saudade e uma lembrança viva na memória afetiva da cidade. A "Moça da Janela", como ficou conhecida, continua viva nas histórias contadas por quem teve o privilégio de vê-la — ou ouvi-la — cantar da janela.




